Fim da fusão entre Embraer e Boeing. Entenda

Embraer
A fusão entre Embraer e Boeing foi cancelada. Entenda

Há pouco mais de dois anos Embraer e Boeing começaram um processo de negociações para a união entre as empresas fabricantes de aeronaves. Assim, a norte americana sendo a maior do mundo na produção de aviões comerciais de grande porte tinha interesse na brasileira para aumentar a competitividade em outros ramos da atividade.

Entretanto, a disposição da Boeing para realizar a transação parece ter mudado. Na última semana a empresa anunciou que havia desistido do acordo com a Embraer. A decisão foi comunicada no último dia do prazo para que o negócio fosse definitivamente firmado. Por isso, elaboramos este post para explicar como começou essa história e o que levou à esse fim. 

Como começou o imbróglio entre Embraer e Boeing

No final de 2017 a Boeing anunciou que estava negociando a compra da Embraer. Naquele momento a notícia trouxe grande euforia ao mercado brasileiro, entretanto, o processo dividia opiniões. O governo do Brasil é detentor do golden share — traduzido com voto de ouro que confere o poder de veto. Além disso, temia uma ameaça à soberania nacional e interesses do país na programa de militares da empresa.

No que diz respeito a companhia norte americana a disposição para compra estava ligada ao desejo de se consolidar no mercado de jatos de pequeno porte. Assim, é necessário entender o contexto. As empresas Boeing e a européia Airbus são as maiores do mercado de aviação. Juntas representam dois terços da produção total de aeronaves no mundo. 

Além dessas, a Embraer e a canadense Bombardier disputam o terceiro lugar. Entretanto, quando se trata da produção de jatos que pequeno porte a proporção se inverte. A partir dessa perspectiva a empresa brasileira ocupava 53% do mercado e a sua concorrente de posição 45%. Acontece que nos últimos anos o interesse das companhias aéreas por esse tipo de aeronave cresceu. 

Isso se deve por conta da popularização das aéreas low cost — baixo custo — na Europa e do subsídio do governo americano para aeroportos de pequeno porte. Assim, em ambos os casos os jatos com capacidade entre 61 e 120 pessoas são ideais. Acontece que 2017 a Bombardier se uniu a Airbus criando um concorrente de peso para Embraer na produção de jatos. 

Já para a Boeing significava que, a partir de daquele momento, a canadense poderia fabricar as aeronaves e vender seus produtos isentos de tarifa de exportação. Pois, a Airbus possui uma linha de montagem em território americano. Diante dessa situação e para continuar competindo igualmente com a empresa européia a companhia decidiu se unir a Embraer.

Por que a fusão foi cancelada? 

O que sabemos é que com a compra a norte americana seria detentora de 80%. Já a Embraer teria 20% da nova empresa que se chamaria Boeing-Brasil Comercial. Além disso, o negócio estava avaliado em 5,2 bilhões de dólares. Desse montante 4,2 bi seriam pagos a empresa brasileira no fechamento do acordo em 24 de abril de 2020. 

Assim, alguns especialistas veem a crise causada no setor por conta da pandemia como um dos motivos para o cancelamento. Além do acordo para a produção de jatos de pequeno porte as empresas pretendiam criar uma joint-venture — empresa controlada por duas ou mais partes que mantêm identidades distintas — para produção do modelo KC-390 de uso militar. 

Entretanto o real motivo para o fim das tratativas ainda é incerto, pois nem mesmo as empresas chegaram à alinhar um discurso. Dessa forma, a Boeing afirma que fez todo o esforço necessário para garantir que a transação acontecesse, porém, sem sucesso. Já a Embraer acusa a empresa de atrasar e violar por diversas vezes o acordo global de operações. 

Ainda de acordo com a companhia brasileira a Boeing se mostrava desinteressada no processo. Principalmente depois dos problemas financeiros que enfrentava por conta da polêmica com a segurança do modelo 737 Max. Assim, com o fim do processo especialistas estimam que o valor a pago à Embraer pela rescisão beira os 100 milhões de dólares. 

Conclusão

A Embraer se preparava para investir em outros ramos como satélites, carros voadores e aplicativos. Entretanto com o fim da parceria a empresa decidiu abrir um processo de arbitragem contra a Boeing na tentativa de reaver as perdas sofridas com o processo. De acordo com a companhia brasileira, só em 2019 foram investidos 485 milhões de reais no negócio. 

Dessa forma, não sabemos quais vão ser os rumos tomados pela Embraer. O momento é bastante incerto para empresa tanto pelo cancelamento da compra quanto pela pandemia do coronavírus, mas esperamos que em breve toda a situação seja resolvida e novas oportunidades apareçam.

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